Sempre que eu pego um livro para ler, mais do que entender o enredo, o que busco é compreender quais foram as razões que levaram o autor a escrever daquela maneira.

Tento, de alguma forma, absorver o sentimento por trás de cada palavra e desvendar quais seriam os mistérios guardados em cada vírgula.

Imagino o momento em que ele, no silêncio de um quarto qualquer, senta em sua cadeira e começa a digitar tudo aquilo que faz seu coração vibrar.

Imagino a emoção de sentir seus dedos transmitindo para a tela do computador todo aquele turbilhão de ideias, que simplesmente buscavam uma forma de existir.

E descubro que, afinal, escrever nada mais é do que revelar-se, mesmo que através de meros personagens fictícios

A autora brasileira Isabela Freitas, em seu livro “Não se enrola, Não” mistura um pouco de ficção com vida real, e acredito que seja essa a principal característica que me faz querer comprar todos os seus livros.

Suas histórias são contadas de forma leve e, em muitas situações, acabamos confundindo com a nossa própria vida. Tanto que, vez ou outra, nos vemos pensando se não fomos nós que escrevemos aquelas palavras em uma espécie de diário pessoal.

Em seus livros, Isabela fala de romance, superação, traumas, qualidades e defeitos que todas nós temos em algum grau.

Umas mais do que outras, é verdade.

Hoje resolvi recomendar o terceiro livro da série, o “Não se enrola, não”, mas que fique bem claro, os outros (Não se apega, Não e Não se iluda, Não) também são ótimos e você precisa lê-los antes de se aventurar neste último.

A história tem uma certa sequência.

Isabela (do livro) é uma garota como qualquer outra aqui, que já quebrou muito a cara com seus amores e ilusões, que procura pela felicidade (muitas vezes nos lugares mais errados do mundo), que sofre pelos motivos mais bobos, e também por aqueles que mais parecem que vão nos arrancar de nós mesmas.

Muitos alegam que se trata de um livro adolescente, mas eu ouso dizer que se trata de um livro capaz de emocionar e encantar praticamente qualquer faixa etária

Acredito que nos cansamos um pouco daquelas histórias onde o mocinho e a mocinha eram perfeitos e viviam felizes para sempre.

Hoje queremos histórias reais, personagens que, sim, falam palavrões, dizem o que pensam, ferem e são feridos, quebram a cara e retomam a jornada.

Hoje buscamos respostas para nossas loucuras.

E perceber que outras pessoas também pensam como nós é o que faz um livro fazer sucesso, na minha opinião.

Já não queremos mais essa busca incessante pela perfeição, queremos ser de verdade, seres humanos de carne, osso, coração e uma mala cheia de frustrações para lidar.

Anúncios