dias-ruins

O rapaz, um pouco preocupado, pergunta a sua namorada:

– O que aconteceu? Você está tão estranha hoje. Tão calada.

– Apenas um dia ruim. – Ela responde.

– Podemos ter dias ruins, não podemos?

Uma pergunta simples, com significados tão importantes

A verdade é que sim. Podemos ter dias ruins. E os teremos, inevitavelmente.

Eles existem, e estão aí para quem quiser aceitá-los.

E não, não me entenda mal, sei bem que ninguém, de fato, os deseja.

Não é como se você acordasse e, pedisse, com todas as letras: hoje quero que meu dia seja péssimo, e que o bom humor passe bem longe de mim.

Sei que não é assim.

Mas, o fato é que, tudo bem, quando eles acontecerem, entende?

Afinal, eles ACONTECEM com todo mundo, e você não tem que ser melhor do que ninguém.

Não tem que fingir que está tudo ótimo se hoje, justo hoje, você só queria poder se esconder debaixo do cobertor, até que essa nuvem deixe de pesar sobre sua cabeça.

Acho que vivemos numa cobrança quase cruel com nós mesmos.

Somos tiranos de nossa própria vida. Ditamos regras, e inventamos punições severas para quando não forem cumpridas.

Queremos estar bem o tempo todo. Sermos melhores em tudo. Saber um pouco, ou muito, sobre tudo o que acontece no mundo.

Quando nem mesmo o nosso mundo, na sua finitude, parece algo fácil de ser compreendido.

Aprendi que nosso maior sofrimento vem justamente da não aceitação.

Não aceitamos estarmos fora de órbita, mesmo que por um dia.

Falhas não são aceitas. Não são permitidas.

O que venho te propor, com este texto, é que você aprenda a aceitar que dias ruins virão, mas entenda, que eles não serão eternos.

E, por isso, apenas ligue uma música, que faça seu coração pulsar, ou assista a um filme, que te faça esquecer do próprio enredo.

Se perca em palavras, que te confortem, que te façam sorrir.

E simplesmente se permita sentir.

Absorva sua solidão.

Ela não tem que ser triste, como te fizeram acreditar.

Às vezes, são nos momentos de silêncio que nos encontramos com nós mesmos.

São nos segundos de paz interior, que descobrimos aquilo que é capaz de nos recolocar no mundo.

Descubra-se. Questione-se. Permita-se. Ouça sua própria voz, que grita em silêncio para que você a escute.

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